Diretório de Levadas do Daniel
13 de maio de 2019 Uma nova subida de Meia Legua a Eira do Mourão, e os enigmas das madres das Levadas de Baixo e Meio
Também conhecida como Tour 2019-05-13 Meia Legua
Documentação histórica — não constitui uma recomendação atual de percurso pedestre. Ficheiro de origem em danishome.ch modificado pela última vez: 12 de junho de 2020
Percurso
Em janeiro, os Madeira Lés a Lés publicaram no Facebook um relato sobre a limpeza e a recuperação da antiga Vereda do Cabouco. É um caminho antigo e esquecido, de Meia Legua, passando por velhas casas-gruta e ruínas, até Eira do Mourao. Queria explorá-lo hoje com a Issi. Também tinham surgido algumas perguntas sobre a Madre da Levada de Baixo, que queríamos esclarecer, e por fim há ainda a garganta da Ribeira Funda a partir da Madre da Levada do Meio, sob a ponte da Levada do Norte, que eu queria ver absolutamente com os meus próprios olhos. Tanto bastava quanto às questões do dia.
Encontrámo-nos no Miradouro do Forte, ou Pico da Cruz, acima da Ribeira Brava, e deixámos lá um carro. Com o segundo carro fomos a Meia Legua, por trás do Continente, sobre a ponte e até ao fim da estrada no reservatório de água, que havia de ser o nosso ponto de referência na primeira parte da subida.
Primeiro tivemos de encontrar o acesso à Vereda do Cabouco. De algum modo, por degraus, caminhos de campo e pontes, chegámos ao caminho inequívoco, embora o verdadeiro início ficasse mais a noroeste. Primeiro segue-se para sudeste até a uma curva em cotovelo, depois em parte algo exposto, mas sempre num caminho relativamente largo, com muitos degraus antigos de pedra, em direção a nordeste. Mais tarde há uma bela vista para uma cascata impressionante. Depois o ponto-chave, por degraus íngremes seguros com uma corda bem fixada. Na verdade é mais necessária para a descida, porque aqui o piso é um pouco escorregadio. E pouco depois da corda fica íngreme, sem degraus, e ainda um pouco mais escorregadio. Embora não esteja exposto, aqui é preciso ter cuidado.
Depois, por bons degraus. Aqui vieram ao nosso encontro 3 cabras, visivelmente contentes com a visita. Depois de uma pequena travessia está-se diante da casa-gruta que já tínhamos admirado no relato dos Lés a Lés.
A seguir o caminho contorna o lombo e fica-se diante de 3 casas em ruína, que também têm em parte divisões de habitação em grutas na rocha. Uma cozinha em que se tinha a impressão de que uma mulher estava mesmo a chegar-se ao fogão para acender o lume. Tudo na maior ordem, só que as casas já não são de certeza habitáveis.
Depois continua íngreme, passa-se por outra casa em ruína, sobe-se bastante a pique no lombo e entra-se numa travessia abaixo das últimas casas de Eira do Mourao. Aqui a vegetação muda de repente. Dominam as azedas e as urtigas, que de resto raramente vi na Madeira. Como junto a uma cabana de montanha; esta zona está presumivelmente algo demasiado fertilizada. Com quê, preferimos não saber com demasiada precisão. E assim chegámos ao caminho de lajes abaixo de Eira do Mourao, junto às casas em ruína.
Os últimos degraus até Eira do Mourao, e por uma pequena levada acima dos campos, para sul. Depois do fim da levada o caminho torna-se um pouco confuso. Por fim chegámos à ponte sobre a Ribeira Funda e à Levada de Baixo. Nesta, até atingir o leito do ribeiro. Isso, em 2014, tinha sido para mim a Madre. Na caminhada dela de janeiro de 2018, porém, a Issi ficou com a impressão de que a Madre fica mais à frente. Por um pequeno caminho pode-se continuar junto à Ribeira Funda. Quando a Levada do Meio leva água e a larga para baixo no seu fim prematuro, também se vê aqui uma cascata a descer de cima (ver também o relato da Issi (imagem 12)). Chega-se a uma pequena casa da água cuja função não percebemos. Por um pequeno tubo, a água de uma nascente é conduzida para o chão; daqui segue para a Ribeira Funda. Ao lado, sobem uns degraus molhados e escorregadios, e fica-se diante de um pequeno poço cuja água se derrama sobre os degraus e diante da casinha da água. O poço é alimentado por uma pequena levada, a que chamámos, com carinho e pragmatismo, 'Levadinha de Baixo superior'. Cerca de 30 metros a montante capta a água da Ribeira Funda e transpõe um caldeirão maior, de onde algo coaxava de forma suspeitamente alta. É possível que este charco, onde a água ameaça infiltrar-se, seja contornado pela pequena levada superior. Especulação...
O caminho sobe agora muito a pique até à Levada do Meio. Primeiro, por pouco, até ao fim prematuro, onde, como em 2014, a água é lançada por uma cascata para a Ribeira Funda. Hoje, porém, a levada estava seca, por isso também não havia cascata para a Ribeira Funda!
Na Levada do Meio até à Madre, na Ribeira Funda seca. Aqui continuei sozinho, através da cortina de silvas, até à garganta imponente. Paredes verticais, pouca luz do dia, e mais à frente, lá no alto, a ponte da Levada do Norte sobre a garganta. Ainda se continua durante algum tempo, até se tornar um pouco mais difícil avançar. De volta à Madre, pelo mesmo caminho até à Levada de Baixo, e nesta, no sentido do fluxo, até às primeiras casas. Sem dúvida uma levada relativamente segura, interessante, variada e com boas vistas, uma das minhas favoritas!
Daqui, evitando estradas tanto quanto possível e com a Issi a guiar, precisamente até à Jamaica Bar, mesmo junto ao miradouro, onde estava o nosso primeiro carro.
Distância: 9.1 Km, 420 Hm de subida, 480 Hm de descida
Início: 09.35 Meia Legua
Fim
15.10 Ribeira Brava
Estado
Subida relativamente exigente. O caminho é na maior parte claramente reconhecível e, para os padrões da Madeira, está em bom estado. A travessia até à Levada de Baixo está bastante tomada pela vegetação; é preciso passo seguro. A zona da Madre da Levada de Baixo está um pouco tomada pela vegetação e é selvagem. A subida pelos degraus molhados faz-se com cuidado. A garganta da Ribeira Funda, depois de se atravessar a cortina de silvas, é simplesmente avassaladora. A Levada de Baixo está em parte exposta, mas nunca é verdadeiramente perigosa, porque é suficientemente larga.
Observações
A subida até Eira do Mourao recomendá-la-ia a caminheiros experientes e de passo seguro, talvez de preferência em subida, por causa do piso e da orientação, e depois, se for caso disso, a descida pelo clássico caminho de degraus.
Agradecimento: Obrigado à Issi pelo reconhecimento prévio na zona da Madre da Levada de Baixo e pela companhia. Divertimo-nos imenso!
