Madeira Unlocked

Diretório de Levadas do Daniel

Levada do Norte (sul)

Também conhecida como Levada do Norte Sued

Documentação histórica — não constitui uma recomendação atual de percurso pedestre. Ficheiro de origem em danishome.ch modificado pela última vez: 21 de julho de 2025

Zona

Serra de Agua até Camara dos Lobos/noroeste

Comprimento

31,8 km (desnível de 40 metros! Incrível!!)

Período de construção

1953

Madrei

Central da Serra de Agua N 32°44.650 W 17°01.100 ca. 580 m s.n.m.

Percurso

A parte sul da Levada do Norte pode dividir-se em 6 troços:

Troço 1: Serra de Agua até à Ribeira do Pico:

Até 1995, levada com 3 túneis curtos e um comprido; desde 1995 já não leva água. Desde 1995 a água é conduzida em 2 túneis separados até à Ribeira do Pico. O primeiro vem à superfície na Ribeira do Poço, segue meio aberto pelo leito do ribeiro, e é aí que começa também o segundo túnel. Nenhum dos túneis atuais é acessível!

Logo a seguir à central da Serra de Agua fica bastante exposto, mas em caminho intacto no lado norte do vale do Ribeiro do Poço; caminho vindo da VE-4, depois túnel duplo com um troço curto a céu aberto (passagem de ribeiro), exposto até a uma cascata que cai em cheio sobre a levada. Desvio de um troço antigo destruído, por um caminho estreito, passagem de um belo braço lateral do Ribeiro do Poço com poças escavadas, por uma ponte sobre o ramo principal do Ribeiro do Poço. Mesmo por baixo da ponte vê-se o troço de ligação dos dois túneis novos, da central da Serra de Agua até à grande correção do ribeiro no Ribeiro do Poço. O caminho segue ao longo da Ribeira do Poco até à antiga ponte da levada, no fim do troço destruído. Mesmo aqui começa o túnel comprido e desagradável (cerca de 1 km). Muito molhado; em troços, tanto o canal da levada como o caminho estão debaixo de água, e é preciso equilibrar-se no pequeno muro do meio. À saída sobe à esquerda um caminho até a uma correção do ribeiro que dantes alimentava a levada com água extra. A levada segue este ribeiro do lado leste e depois vira para o vale da Ribeira do Pico. À direita reconhece-se o Pico do Buzio, cujo perfil de cabeça de galo volta a ver-se de vários ângulos. Daqui também se tem uma bela vista para a galeria com as proteções de madeira, que se passa mais tarde no troço 2.

Último túnel, e ao longo de uns socalcos cultivados e de casas de abelhas até à casa da levada na grande correção do ribeiro.

Na grande obra a água é retida e separada por um sistema complexo: a maior parte corre pelo Tunel do Pico Grande para o vale do Curral, até à central dos Socorridos.

Uma pequena parte corre, como dantes, para o troço 2.

Ver também Caminhada 2015

Troço 2: Ribeira do Pico até Espigao:

A levada segue primeiro a encosta sul do vale do Ribeiro do Pico. Logo muito exposta, sem proteções; um primeiro desafio é a passagem exposta sobre um troço em tubagem. Segue-se a passagem ao longo de um ressalto, com as conhecidas proteções de madeira madeirenses, numa galeria aberta na rocha. Mais vale não examinar as proteções de perto; ao menos dão um apoio psicológico.

Depois, por terreno mais aberto, até ao túnel seguinte. A seguir está-se na parede rochosa acima do vale de Ribeira Brava. Vista excelente; neste troço a levada está em parte talhada numa parede. Mais 2 túneis, e depois a vista para a grande garganta. O caminho da levada fica cada vez mais estreito e exposto; no fundo do vale caminha-se num murete de cerca de 15 cm de largura, sem proteção. Ao menos a levada foi aqui bem reparada. Por um túnel no fundo do vale, e outra vez exposto à saída da garganta. Aqui o caminho é um pouco mais largo. De novo exposto acima do vale de Ribeira Brava, o terreno a abrir-se cada vez mais até ao lombo de Espigao. À esquerda sai o caminho que vai a Espigao (ver abaixo).

O troço acaba com a travessia pelo túnel que passa por baixo de Espigao.

Ver também Caminhada 2015

Atualização 2023: Via-se que o troço 2, entre a Ribeira do Pico e Espigao, deixaria em algum momento de ser mantido.

O esforço de manter este troço acabou por ser grande demais, e a perda de água era enorme; que aqui se planeava algo de novo já se sabia há bastante tempo.

Em setembro de 2023 foi aberto o Tunel do Pedregal.

O túnel começa depois da grande correção do ribeiro na Ribeira do Pico, onde também sai o túnel para o vale do Curral.

O canal principal desemboca em Pedragal, perto da saída do Tunel do Covao, no ramo antigo da Levada do Norte.

Para continuar a abastecer a zona da Eira do Mourao e de Boa Morte, há uma saída lateral junto à passagem de ribeiro da antiga Norte sobre a Ribeira do Espigao.

O troço da Ribeira do Pico até depois do túnel por baixo de Espigao deixa portanto de ser mantido e, presume-se, nunca mais será percorrível.

O projeto (imagens abaixo):

Foto

Troço 3: Túnel de Espigao até à Eira do Mourao:

Primeiro o traçado no vale da Ribeira do Espigao, ao longo de uma correção do ribeiro, por um túnel curto que quase não merece o nome de túnel. Depois na cumeada, com boa vista, bem acima do vale de Ribeira Brava. O troço acaba no cruzamento com a estrada de acesso à Eira do Mourao, que desce a partir da estrada para Espigao e Fontes.

Ver também Caminhada 2014

Troço 4: Eira do Mourao até Boa Morte:

A levada entra bastante para leste no corte da Ribeira Funda; derivação do caminho para a Madre da Levada do Meio. Vistas bonitas, que vão mudando, sobre as terras em socalcos. Fundo do vale na Ribeira Funda, abaixo da estrada que vai a Espigao. À saída do vale, caminho para a parte ativa da Levada do Meio, mais tarde caminho para a parte da Levada do Meio que já não está em serviço, e daí para a Levada do Baixo; por bosque queimado, para sul, até Boa Morte, onde a água é retida e conduzida para grandes reservatórios (Reservatorio do Sitio das Covas). A partir daí a levada está seca.

Ver também Caminhada 2014

Troço 5: Boa Morte até ao Cabo Girao

Primeiro em seco até à Ribeira do Campanario. Aí um grande túnel afluente, ligado à bacia de compensação superior do sistema energético dos Socorridos, no Covao. Este abastece a levada de água. Boa vista, bem acima de Campanario, Igreja e de muitos socalcos e pequenas povoações. Mesmo no meio, o viaduto da autoestrada! Muitos acessos e cruzamentos com caminhos e pistas de gravilha. O lombo a norte do Cabo Girao passa-se num túnel.

Ver também Caminhada 2015, Caminhada 2016

Troço 6: Cabo Girao até Marinheira:

Primeiro bem acima dos socalcos da Caldeira. Depois do cruzamento com a Estr. Joao Gonzalves Zarco a água é retida num ponto de recolha e conduzida pelo túnel do Pau Branco, através do lombo do mesmo nome. O leito antigo da levada ainda se segue uns metros, mas acaba num antigo cone de deslizamento. Pode continuar-se aqui, mas a levada já não existe. Depois de uma pequena descida e subida na zona de um silo volta a encontrar-se a levada e, um pouco mais tarde, a saída do túnel.

No fim do túnel a água volta a encontrar o leito antigo da levada e corre, por um lado, no sentido "errado", para o silo de água em Nogueira, e por outro segue no traçado normal. Depois, um corte fundo no vale da Ribeira da Caixa, com duas passagens em ponte sobre os braços laterais da ribeira e 2 belas passagens em alvenaria pouco antes de sair do vale; a seguir a levada serpenteia pelos bairros exteriores do Estreito de Camara de Lobos

Ver também Caminhada 2016

No fim, no Covao, há ligação à câmara de carga superior do sistema energético dos Socorridos. Quando há água a mais, a água é largada por uma cascata para a Ribeira dos Soccoridos, que também se despeja sobre a Levada da Faja (ver a última imagem abaixo).

Fim

Vargem, acima do Estreito de Camara de Lobos, ca. 530 m s.n.m.

Função e utilização

Rega das zonas ao longo da levada a partir de Boa Morte. Parte essencial do abastecimento de água em volta de Ribeira Brava (aduções da Ribeira da Ameixieira, nascentes de Espigao). O braço terminal da Levada do Norte está também estreitamente ligado ao abastecimento de água pelo sistema dos Socorridos

Abastecimento de água em volta de Ribeira Brava

Abastecimento de água pelo sistema dos Socorridos

No seu troço sul, a Levada do Norte já é apenas uma sombra da levada antiga. O primeiro troço, até à correção do ribeiro na Ribeira do Pico, foi substituído por 2 túneis. Enquanto uma grande parte da água corre pelo túnel do Pico Grande, na correção do ribeiro uma parte da água é desviada para o traçado antigo. Num futuro próximo (em 2016) esta parte será substituída por um túnel de 4,9 km até Espigao, para reduzir a manutenção perigosa e dispendiosa e evitar perdas de água. A levada está funcionalmente intacta até Boa Morte. Aí toda a água é conduzida para reservatórios; o traçado seguinte até à Ribeira do Campanario está seco. Aí, por um túnel abastecido com água da bacia de compensação superior do sistema energético dos Socorridos, a função da levada é restabelecida. Por fim, na zona de Nogueira, o deslizamento é contornado pelo túnel do Pau Branco e a levada funciona em parte no sentido de escoamento "errado".

Acesso

Troço 1:

  • Da central da Serra de Agua; para lá chegar, por

    • estrada a partir da ER-228

    • caminho pouco antes da entrada sul do túnel da VE-4

  • Acesso à levada a partir da VE-4, se o caminho não estiver tomado pela vegetação

  • Da correção do ribeiro na Ribeira do Pico (caminho de gravilha a partir de Serra de Agua); em 2015, porém, construíram ali uma rotunda grande, e já não está igual!

Estado

Troço 1: Caminho conservado até ao Ribeiro do Poço (manutenção das correções do ribeiro); depois o estado é claramente pior, mas ainda se percorre bem. Os túneis estão em parte muito molhados (é preciso equilibrar-se no pequeno muro do meio), mas em parte também completamente secos! Dificuldade média, um pouco exposto; firmeza no passo obrigatória!

Ver também Caminhada 2015

Troço 2: Em parte entubado, perigo de queda de pedras, muito perigoso; o caminho é mantido, mas em parte extremamente exposto e sem proteções, um traçado genial na parede rochosa acima do vale da Serra de Agua, vários túneis mais curtos. Em vários sítios o leito da levada foi betonado de novo e, nos pontos delicados, coberto com grandes tubos de plástico. Ausência total de vertigens, firmeza no passo e, se for o caso, um capacete são necessários!

Ver também Caminhada 2015

Troço 3: Dificuldade média, em parte exposto, mas caminho mais largo e mantido; exigem-se alguma ausência de vertigens e firmeza no passo

Ver também Caminhada 2014

Troço 4: Fácil, poucos pontos expostos,

Ver também Caminhada 2014

Troço 5: Fácil, poucos pontos expostos,

De Quinta Grande sai uma derivação para a central da Faja das Padres (sobretudo no inverno, quando há água suficiente para a rega)

A conduta forçada fica na estrutura do elevador vertical!

Estrutura do elevador vertical

Ver também Caminhada 2015

Troço 6: Fácil a dificuldade média; no vale da Ribeira da Caixa uns pontos expostos; as passagens em alvenaria podem contornar-se!

Observações

Para mim, o troço sul da Levada do Norte está entre o melhor que se pode caminhar na Madeira. Para mim foi emoção forte, adrenalina pura, mas também uma espécie de homenagem a quem perdeu a vida e ao trabalho incrível que está por trás desta obra.

GPS / KMZ

Mapa

Vídeo

Fotos

Troço 1

Troço 2

Troço 3

Troço 4

Troço 5

Troço 6